Quando vemos o documentário mais tradicional na forma, podemos pensar que os primórdios da linguagem audiovisual com elementos do mundo real eram pouco criativos e extremamente positivistas. É interessante descobrir que entre os primeiros documentaristas, entretanto, estavam alguns vanguardistas. O início da tradição documental herdou princípios vanguardistas que o cinema de ficção começou a negar a partir dos anos 20. De fato, o documentário, no início dos anos 30, foi refúgio de realizadores da Vanguarda Histórica da década de 10. Funcionou como alternativa à hegemonia nascente do cinema narrativo de ficção. Essa confluência de interesse entre artistas de vanguarda e cineastas emergentes gerou uma série de filmes documentários, quando a própria palavra “documentário” estava sendo inventada. Esses filmes comunicavam com liberdade expressiva e assumido ponto de vista. Bem diferente do que se poderia pensar como origens de um domínio do audiovisual pouco compreendido em suas amplas possiblidades. Como legado da vanguarda artística na linguagem do documentário, é possível perceber:
1) Privilégio do registro improvisado como forma de análise e revelação do real.
2) Construção não-narrativa (interessante que este legado vai gerar o caminho para as formas expositivas do documentário)
3) Experimentação de efeitos fotogênicos e compositivos de enquadre (fragmentação, colagens e justaposições, graças à liberação dos limites narrativos)
4) Experimentações com sons não diegéticos, que provem de outros espaços, porém constroem o ponto de vista.
Esse hibridismo entre vanguardas e documentário só volta a acontecer a partir dos anos 80.
Muitos pesquisadores afirmam que um dos pilares fundacionais da tradição dos documentários está nessa Vanguarda Histórica do início do século XX. Uma corrente do documentarismo aparece ao lado da abstração alemã, do “cinema puro”, do futurismo ou do surrealismo francês.
A seguir, uma lista de realizadores desse período de hibridismos entre vanguarda e documentário, dos anos 20 e 30. A partir dos nomes, dá pra encontrar mais infos pela web
Walter Ruttman (Alemanha) – Berlin, Sinfonia de Uma Grande Cidade (1927)
Sergei Einsenstein (URSS) – October (1927) Que Viva México! (1931)
Jean Vigo (França) – A Propos de Nice (1930)
Basil Wright (Inglaterra) – Songs of Ceylan (1934) Night Mail (1936)
Alberto Cavalcanti (Brasil, produzindo na França) – Rien que lês heures (1926)
Luis Buñuel (Espanha) – Tierra Sin Pan (1931)
Humprey Jennings (Inglaterra) – Listen to Britain (1941)
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